Canto ao Libertador
Setembro arrasta o opaco do cacimbo
e o sol ainda desmaiado e sem calor
Setembro sempre repete a mesma dor
em cada ano na lonjura do caminho.
Oh saudades! pela vergôntea promissora
que dos coqueiros em verde palma floresce
vamos em busca da fé renovadora
e do canto da esperança que jamais fenece.
Somos mil dedos na folha dos coqueiros
em curva já projectada nos espaços
abertos ao mundo em fraternidade.
Tua voz seguirá na voz dos pioneiros
tua senda continuará em nossos passos
teus ensinamentos são já da Humanidade.
Eugénia Neto
Luanda, Agosto, 1985 (in O soar dos Quissanges)




