DISCURSO NO LANÇAMENTO DO LIVRO “AUGUSTA CONCHIGLIA FOTOGRAFA AGOSTINHO NETO”

Excelências Senhoras e Senhores
Membros do Executivo
Deputados à Assembleia Nacional
Oficiais das Forças Armadas Angolanas
Membros do Corpo Diplomático
Distintos apresentadores da obra
Ilustres Convidados
Camaradas da Guerrilha
Caros Amigos
Cara Augusta
Temos o imenso prazer de saudar a nossa amiga de longa data e dar-lhe as boas vindas à Angola. É igualmente uma alegria juntar, hoje, pessoas que fazem parte do nosso percurso de vida e de luta, para o lançamento deste livro que reúne as fotografias tiradas pela jornalista italiana, Augusta Conchiglia, durante os anos da luta de libertação nacional e após a independência.
No âmbito do seu trabalho de recolha de testemunhos sobre a nossa história, a Fundação Dr. António Agostinho Neto continua a pesquisar e publicar todo o tipo de evidências como compromisso contra o esquecimento, tornando as memórias menos áridas e divulgando cada vez mais a rica epopeia da luta de libertação nacional e da construção da nação.
Algumas das fotos de Augusta Conchiglia são amplamente conhecidas em Angola. Citamos a mais conhecida que é a foto das primeiras notas da nossa moeda nacional, o Kwanza. As suas fotos foram sempre usadas para diversos fins sem ter os créditos reconhecidos e sem ninguém saber quem era a autora. Lançamos-lhe o desafio de fazer uma publicação com essas antigas fotos por ocasião do 50º (quinquagésimo) aniversário da reportagem feita nas zonas libertadas do leste do país, em 1968. Entretanto, o livro também contém outras fotografias de antes e depois da independência.
A fotorreportagem nas zonas libertadas do leste do país acompanhou a realização de um filme, encomendado pela RAI, televisão italiana, e dirigido pelo cineasta Stefano de Stefani. O filme foi posteriormente exibido no Festival Pan-Africano de Argel em 1969, onde ganhou um prémio. Em 1970 foi realizada uma nova reportagem ao leste do país. Para além das fotografias publicadas numa brochura e do filme, também foram gravadas canções e produzido um disco com canções revolucionárias.
Ilustres Convidados
A Fundação Agostinho Neto, para além de divulgar imagens do processo de libertação do país, transforma o livro numa celebração de todos quantos aí são retratados, muitos já falecidos, outros ainda vivos. Ao vê-los, alguns, e revê-los, outros, sorrimos com ternura pela sua bela juventude, apreciamos o vigor e a convicção dos jovens guerrilheiros, a tenacidade das populações e sentimo-nos mais próximos daqueles que tanto deram para a libertação do país.
A nossa homenagem estende-se também àquelas pessoas, àqueles jornalistas italianos, canadianos, ingleses, argelinos, que tiveram a coragem de enfrentar o “grande mato” angolano e de conviver com os guerrilheiros e as populações, durante meses, para capturar imagens e o seu testemunho servir de consciencialização das sociedades ocidentais sobre o problema colonial em África e sobre a luta de libertação conduzida pelo MPLA.
Distintos Convidados
A fotografia tem o condão ou a virtude de documentar uma realidade que existiu e foi a luta de guerrilha do MPLA. E tem a vantagem de poupar palavras e evitar erros e omissões. A guerrilha liderada por Agostinho Neto teve a sua maior expansão e desenvolvimento no leste de Angola. As fotos mostram que a guerrilha foi feita pelo povo, uns descalços, outros calçados. Uns velhos, outros novos. Homens e mulheres. As armas mostram-nos a progressão havida: das SKS passamos para as PPsh (pêpêchás) e para a AK-47 e RPG-7!
As fotos e o filme mostram ainda que foi o povo que lutou e se sacrificou para vencer o colonialismo. Foi assim antes e será assim hoje: é o povo que trabalha e vence todos os dias a pobreza, a ignorância, a doença e a descrença. Agostinho Neto liderou pela palavra, pelo exemplo, pela presença, pela comunicação e pela honestidade. Temos mesmo de voltar à raiz da luta: libertar Angola da pobreza, do analfabetismo, da desigualdade, da tristeza e da incerteza de não saber como será a vida amanhã. Os angolanos não lutaram para voltar a sofrer na sua terra independente. É preciso mudar e dividir o que há por todos. Era assim na guerrilha: o funge era partilhado! As canções eram cantadas por todos!
Caros Convidados
A Fundação Agostinho Neto obteve a autorização da autora e das instituições italianas, guardiãs do acervo cinematográfico italiano, para a projecção pública do filme, com carácter não comercial, para fins didácticos e pedagógicos.
Os nossos agradecimentos a Cineteca Nazionale e a Fundazione Centro Sperimentale di Cinematografia, na pessoa do senhor Enrico di Addario.
Convidamos algumas antigas pioneiras do MPLA para participarem neste lançamento, entoando canções revolucionárias da guerrilha. Apesar de terem estado mais na 2ª região do que na 3ª região político-militar, algumas canções eram comuns. A todas, os nossos agradecimentos por se terem predisposto a vir até aqui conviver connosco.
Por fim, convidamos também um naipe diversificado de personalidades para apresentarem o livro. Tivemos curiosidade em saber como os antigos guerrilheiros, partícipes da luta de libertação, reagiriam ao livro, ao se reverem nas fotos. Assim, os nossos camaradas de luta e amigos, o Dr. Mário de Almeida “Kasesa” e a Sra. Rodeth Gil dos Santos, estão presentes para recordar aqueles tempos e aquelas vidas em prol de um objectivo sublime.
Convidamos igualmente a geração mais nova, articulada, interventiva e do ramo da comunicação social que faz do verbo a sua “arma de combate”: Amílcar Xavier, Ana de Sousa e Ismael Mateus, aqui representado por João Carlos Van-Dúnem.
A todos eles, os nossos agradecimentos.
Para terminar, fazemos votos de que gostem do livro.
Muito obrigada pela vossa atenção.
Luanda, 21 de Junho de 2019
Maria Eugénia Neto
Presidente da Fundação Dr. António Agostinho Neto




